Die-Cast Miniature Box

Die-Cast Miniature Box

Esta é a caixinha de um apontador que é a miniatura de um barco feita com metal fundido. Foi fabricada na China e encontrada na Av. Lauro Linhares no dia 7 de fevereiro de 2004, às 11h24 de um sábado ensolarado. Muitas pessoas devem ter pisoteado esta pobre embalagem até eu tê-la encontrado e adicionado à minha coleção particular. Na época eu escrevia um artigo sobre Duchamp e ela me lembrou a obra Unhappy Readymade do artista. Mas no caso da caixa chinesa os agentes transformadores foram os pés das pessoas, ao contrário da obra de Duchamp, que foi transformada pelo poder do vento. Então eu resolvi batizá-la de Mistreated Readymade em homenagem à obra de Duchamp.

Jarbas e o Entregador de Frangos (Parte I)

JarbasEu estava com os gânglios à flor da pele naquela noite, quando Jarbas chamou-me na cozinha e mostrou o frango estilhaçado em cima da mesa. Tinha as bochechas encharcadas de sangue e logo percebi que ocorrera uma luta feroz naquele recinto. Recostei-me na cadeira acolchoada e pedi que Jarbas limpasse o rosto com o pano de prato e fizesse uma massagem em meus ombros, enquanto me explicava o que exatamente ocorrera em minha ausência. Ele começou com lamúrias e toda sorte de artifícios para evitar falar no assunto. Olhei-o nos olhos, ao contrário, reclinando minha cabeça para trás enquanto equilibrava a poltrona em apenas duas patas. Era uma manobra arriscada que eu não tentava há um bom tempo, mas eu precisava convencer o pobre Jarbas de que era necessário que ele me esclarecesse certos pontos, caso contrário eu não poderia ajudá-lo. Não foi necessário muito mais do que isso. Prontamente, ele lavou suas mãos na pia e sentou-se no banquinho chinês a minha frente, relatando de um fôlego só os últimos acontecimentos. Falou do entregador de frangos, que havia marcado de encontrá-lo na cozinha por volta das nove horas, para entregar uma encomenda ultra-secreta para um prato exótico. Pouco antes da hora combinada, Jarbas colocou seu melhor fraque, subiu no parapeito da janela do segundo andar e, tal qual um galo no cio, começou a cacarejar e ciscar minhocas e vermes. Nisso, o entregador de frangos estacionava seu carro em frente à casa, pouco depois de dar uma volta no chafariz. Nesse exato momento, eu estava pescando e flertando com mademoseille Rousseau, no Lago Albergue. Estava sorrindo, já com o bucho cheio de vinho e com uma ereção protuberante que despontava por baixo de minha calça colante francesa. Jarbas não conseguiu evitar que o entregador de frangos avistasse ele lá de baixo, pasmo, segurando um saco cheio de frangos holandeses ainda esperneando e tentando fugir dos recheios variados, que fariam lugar das suas vísceras tão logo Jarbas pudesse habilmente fazer as suas acrobacias com seu cutelo encantado. Acontece que a mulher do entregador de frangos é prima em terceiro grau da afilhada da avó de Jarbas, e seria contraprudente deixar o entregador sair daquela casa sem uma explicação adicional. Ele recompôs-se rapidamente e desceu para receber o entregador que passou por ele em direção à cozinha sem dizer uma só palavra. Parecia mais incomodado que o próprio Jarbas, que percebeu ali uma brecha para manobra. De repente, Jarbas apertava demais certos nervos sensíveis em meu pescoço e falei para ele tomar mais cuidado, pois parecia um pouco tenso. Eu não iria repreendê-lo, afinal tinha-o como filho e a segurança dos meus era mais importante do que qualquer coisa. Quanto ao seu comportamento suspeito na janela do segundo andar, era algo totalmente compreensivo, tamanha pressão que vinha sofrendo nos últimos dias, quando mademoisele Rousseau vinha rondando a casa com uma freqüência cada vez maior, trazendo suas amigas glutonas que solicitavam as mais absurdas iguarias a Jarbas que, apesar de ser um artista inigualável na cozinha, estava há semanas sem um repouso descente, e por essa razão, completamente fragilizado, sendo facilmente influenciado por fatores externos. Jarbas ouvia tudo com atenção, ficando mais calmo, como percebi pelo movimento de suas mãos. Subitamente, uma gota de sangue de suas bochechas mal lavadas caiu em minha testa, escorreu ao lado do meu nariz e foi se alojar em meu bigode. Dei uma fungada forte e pulei da poltrona, que caiu para trás derrubando Jarbas. Demônios, não era sangue de frango, como eu pensava desde o início, era sangue humano. Agora sim ele me devia explicações. Olhei para ele com preocupação e ordenei que terminasse de contar a história.

Arte aos pedaços

Cut-up executado por William BurroughsTodos os trabalhos intelectuais e artísticos são feitos de pedaços da realidade do autor, da sua interpretação e observação do mundo, partes dos seus medos, traumas e certezas. Atualmente temos à nossa disposição as idéias de um crescente número de pensadores, porque há mais pessoas produzindo e a produção intelectual não está mais apenas nas mãos de um grupo privilegiado de indivíduos como era no passado. No entanto nós nos tornamos escravos da mass media, do marketing e da propaganda. O que nós vemos também é determinado pelo que nós ouvimos. Não somos completamente livres para ler ou escrever o que quisermos, como podemos ingenuamente pensar. Como um vírus, a linguagem nos obriga a construir a realidade de uma forma específica. Temos que dançar a música, seguir e obedecer as regras, não podemos transgredir o sistema. Por outro lado, podemos utilizar a voz de múltiplos indivíduos, desconstruir os seus discursos e recombinar as peças, quebrando as regras gramaticais e produzindo resultados diferentes. Escritores como William Burroughs levaram ao extremo a idéia de utilizar textos de outras fontes e autores para compor sua própria obra. Ele utilizou com sucesso a técnica conhecida como cut-up para compor narrativas esquizofrênicas em sua trilogia cut-up, composta dos livros Soft Machine (1961), The Ticket that Exploded (1962) e Nova Express (1964). Burroughs utilizava textos de várias fontes, encontrados a esmo ou cuidadosamente selecionados, e combinava com seus próprios textos para compor intrincadas narrativas, onde as ações ocorriam em lugares e tempos simultâneos, com novas vozes sussurrando e gritando a cada nova página.

Vários artistas e escritores, cada um em sua época, local e cultura, escaparam da idéia de autor como criador de cada mínima combinação de seus trabalhos. Como Marcel Duchamp uma vez falou, “todo mundo é artista”, porque o simples ato de observar e mentalmente colecionar partes da realidade, é um ato artístico. Como Duchamp gostava de afirmar, o que ele mais gostava era respirar e a sua respiração, superestimada, tornou-se objeto de arte. Fazer arte é representar e descrever o mundo a nossa volta com as peças que temos disponíveis a mão. Neste momento podemos ser Transformadores ou Repetidores, o Transformador será afetado pela combinação de elementos que está produzindo e em resposta irá afetar a combinação de uma forma proporcionalmente igual, enquanto o Repetidor irá se comportar como um espelho frio, que irá refletir e repetir a mesma coisa sem mudanças, ad infinitum.

* A imagem que ilustra este post mostra o escritor William Burroughs executando um cut-up com seu texto datilografado. Sequência de imagens do vídeo “Documentary on the life of William Burroughs”, dirigido por Howard Brookner.

Black Hole

Black HoleFinalmente chega ao Brasil Black Hole, uma obra prima dos quadrinhos criada por Charles Burns, que iniciou sua carreira na extinta revista RAW, de Art Spiegelman. A incômoda história ambientada nos subúrbios de uma Seattle dos anos 70 conta a trajetória de um grupo de jovens contaminado por uma estranha doença que causa mutações diferentes e inesperadas em cada um dos contaminados. A comparação com o vírus da AIDS é inevitável, não só pelo clima de preconceito, mas também pelo fato da contaminação se espalhar através do ato sexual. Publicado originalmente em 12 edições irregulares nos EUA (a série demorou 10 anos para ser publicada, de 1995 a 2005), a editora Conrad colocou nas bancas o primeiro de dois volumes de 184 páginas. O escritor Daniel Pellizzari ficou encarregado da cuidadosa tradução.

Um Road Movie em busca da solidão

falsche-bewegung“Movimento em Falso” (1975) é essencialmente um road movie (Este é a segunda parte da “Trilogia Road Movie” de Wim Wenders, que também inclui Alice in the Cities (1974) e Kings of the Road (1976). Notadamente é o único dos 3 filmes em cores.) sobre solidão, que acompanha a procura não muita clara de um aspirante a escritor, Wilhelm (Rudiger Volger), que admite abertamente não ser um bom observador das pessoas, o que põe em xeque sua pretensão de representar a alma humana. Após deixar seu opressivo lar materno, Wilhelm parte em sua viagem, aglomerando seguidores no caminho, solitários e artistas como ele. Os personagens aparecem aleatoriamente, interagem, e desaparecem, como em uma breve odisséia, cuidadosamente composta de tomadas com atenção meticulosa aos detalhes, como é próprio do diretor Wim Wenders.

Nastassja Kinski aparece aqui como a personagem Mignon, em seu primeiro filme, muda, sem falas e se utilizando apenas de expressões faciais e da linguagem corporal, fazendo pequenos truques e malabarismos de rua. Em alguns momentos surge como uma criança, em outras parece uma mulher mais velha. A atriz tinha apenas 13 anos na época das filmagens.

Os outros aventureiros são Laertes (Hans Christian Blech), um velho com um passado perturbador, que acompanha Mignon; Therese (Hanna Schygulla), que tenta romper a frigidez de Wilhelm; e Bernhard, que se faz perceber com um certo esforço inconveniente.

Entre as cenas memoráveis do filme, há uma em que o escritor e seus seguidores estão caminhando por algumas ruas, observando os moradores como verdadeiros etnógrafos. Um choro de bebê aqui, alguém gritando com eles ali. Eles param, observam silenciosos, como se pertencessem a outra espécie, como se não pudessem ou devessem interferir, interagir. E neste momento parecem todos a sombra de Wilhelm.

É muito fácil ver “Falsche Bewegung” como um filme superficial, ou em outro extremo, como um filme difícil. O título dá a pista, traduzido como “Wrong Movement” para o inglês e “Movimento em Falso” para o português. O que procura Wilhelm? Existe um caminho correto, e um errado? Que decisão tomar? Faz alguma diferença?

Lixo do dia

Lixo do dia é uma categoria na qual publicarei imagens de objetos encontrados ao acaso, em meus passeios pelas estradas pavimentadas ou não. Objetos intrigantes, ou às vezes nem tanto, mas que chamam minha atenção de alguma forma e entram para minha coleção, que cresce a cada dia, para infelicidade da Leila, que qualquer hora jogará tudo ao seu habitat de origem, o lixo.

Disco circular de papelO objeto ao lado é do tamanho de um CD e foi encontrado no dia 4 de agosto de 2006, embaixo de um poste de energia elétrica. Há um tipo de gráfico circular rabiscado em volta deste fino disco de papel, como se fosse o resultado de um eletroencefalograma. Suspeito que o gráfico reflita algum tipo de medição de alguma grandeza elétrica. Provavelmente os resultados são avaliados e passados para algum superior engravatado, que senta atrás de uma mesa e recebe pilhas desses gráficos circulares, que registram o consumo elétrico na região onde foram tomadas as medidas.

O pornógrafo veneziano (parte I)

Com este post inicio a categoria “inacabados”, uma série de contos e outros gêneros que não consigo ou não tenho a intenção de terminar. Às vezes são simples anotações, outras pretendem ser a primeira parte de um trabalho maior, como no caso do texto abaixo, que comecei a escrever para depois transformar em um roteiro para uma estória em quadrinhos. Em um futuro indeterminado um caçador de recompensas mutante e viciado em narcofarmacos persegue um produtor de filmes pornográficos não convencionais. Com vocês, “O pornógrafo veneziano”:

Ferd— O i-name dele é “=jack.ursinho”, não tenho mais informações adicionais.

— Você sabe que com isso será difícil descobrir algo — Astor colocou o i.name no oráculo e ordenou uma busca, o spider começou a rastrear a rede em tempo real enquanto eles comiam bolacha água e sal e chá inglês. Astor pensava na Estela, suas belas tetas firmes e bicos duros. Sua baba misturada com migalhas de bolacha pingava no teclado holográfico projetado na mesa.

— Muito bem, encontrei um node, mas parece que está em uma intranet. Consegui me infiltrar através da conexão Wi-Fi deles, mas a rede é protegida por firewall e os pacotes estão se arrastando por uma pequena brecha que consegui abrir através do eco de bits. Com essa taxa de transferência vou demorar uns 15 minutos para montar a imagem do vídeo.

— Vídeo?

— Sim, consegui localizar um vídeo com esse i-name. Tudo indica, pelos dados de cache, que nosso amigo é produtor de filmes pornôs, do tipo não convencional, se é que você me entende.

— Ora vejam só, por isso o i-name. Ele deve ter usado um i-broker norueguês, eles são muito liberais por lá. Está explicado porque os Homens o querem.

— Sem dúvida. Por favor, tire o cotovelo de cima dos meus papéis. Se nós conseguirmos o openID dele, podemos plotar um eixo de dobra com as coordenadas. Astor fez um malabarismo com seus dedos cegos, sussurrou algo para a máquina e sorriu com satisfação — E ai está: 27°34’39”S 48°31’34”W, parece que encontramos o esconderijo do nosso amigo.

— Meu velho, seus serviços valem cada centavo do que eu te pago.

— Eu sou o melhor.

— Você é — Ferd mergulhou seus longos e disformes braços no paletó que recolheu da mesa de Astor, conectou suas raquetes de andar na neve e arremessou para Astor um dobrão espanhol.

— Ei, esse não foi o combinado — protestou o amigo.

— Meu caro, primeiro preciso confirmar os seus dados, depois eu te dou a outra parte.

Caminhou para seu aeromóvel sob o olhar contrariado de Astor enquanto sacava o GPS e entrava com as coordenadas. Um mapa tridimensional se formou à sua frente, projetada por um pequeno feixe luminoso entre as lentes dos seus óculos. O sistema sugeriu a rota mais próxima, conectou com o sistema de navegação do aeromóvel, verificou o tráfego e confirmou a rota com Ferd, que grunhiu em consentimento. Precisava verificar suas cordas vocais, os narcofarmacos estavam fazendo mal pra ele. Já não bastasse as tripas, agora sua garganta começava a falhar. Precisava ingerir algumas fibras de psyllium, iriam corrigir o problema. Alguns minutos depois, estava no edifício, uma construção praticamente esquecida, uma sigla de 3 letras, foi um centro integrado com fins culturais no passado. O dinheiro era desviado para as pessoas erradas e já naquela época era uma construção quase esquecida, servindo apenas para a negociata e o enriquecimento ilícito, enquanto os eventos culturais eram deixados de lado. E agora um produtor de filmes proibidos, protegido atrás de um i.name vago e de um firewall de segunda mão, estava escondido por ali, provavelmente bolando sua próxima produção nefasta. Ferd deslizava seus tentáculos gosmentos pelos corredores empoirados. O cheiro de porra ressecada penetrava em suas narinas apuradas, que havia herdado da família de sua mãe, seres aquáticos abissais que, não tendo a visão para se guiar nas profundezas dos mares, precisavam ter os outros sentidos superaguçados.

A ficção do real

isto não é um cachimboEu”despubliquei” este artigo temporariamente, para poder dar uma geral, aparar algumas arestas e acrescentar novos desvios milimetricamente calculados. Se você chegou aqui procurando por ele, sinta-se a vontade para fuçar meus outros textos e volte daqui a alguns dias, quando voltarei a publicar este artigo. E lembre-se: o segredo da boa macarronada está no molho!

O que é Bruxismo?

Danos do BruxismoO Bruxismo é considerado um distúrbio do sono e é caracterizado pelo ranger e apertar dos dentes, onde as forças sobre os músculos responsáveis pela mastigação são excessivas, produzindo dor de cabeça, danos gengivais, desgaste do esmalte dental, dor disfuncional muscular da articulação temporomandibular e em certos casos, até mesmo dores nas costas. Geralmente o dentista é o primeiro a detectar o bruxismo que pode ser causado por vários fatores, sendo que o nervosismo e stress são os principais causadores. Quando o paciente tem o problema conhecido como “mordida aberta”, onde as arcadas dentárias não se encaixam corretamente, também pode sofrer de bruxismo, tanto noturno quanto diurno. O bruxismo pode chegar a um grau tão severo, que as articulações temporomandibulares chegam a gastar, podendo inclusive deslocar com facilidade a mandíbula do paciente.

Como tratar o bruxismo?

Se os danos não forem avançados, seu dentista pode preparar um tipo de protetor, rígido ou maleável, que se adapta à arcada dentária inferior e evita que as duas arcadas (superior e inferior) batam uma contra a outra. Além disso, o tratamento do stress também ajuda a controlar o bruxismo.

Este post é um cut-up de textos dos links abaixo, somado à minha experiência pessoal com o problema. Para maiores informações, sugiro uma visita:

Casa do Bruxo
Bruxismo na Wikipedia
Sleep bruxism (tooth-grinding or teeth-clenching) Information
Colgate – Informações de Saúde Bucal

Revista Webdesign

45.jpgSábado comprei a Revista Webdesign de setembro (#45), sentei e li todas as páginas em alguns minutos. Não porque a revista estava boa, mas porque eu estava realmente curioso para ver se havia alguma matéria com conteúdo. Devo confessar que fiquei decepcionado quando cheguei à última página. A Revista Webdesign é uma das poucas referências impressas para o profissional da área publicada no Brasil. O projeto gráfico da revista continua praticamente o mesmo ruim de 2005, utilizando fonte Verdana, que é mais própria para o monitor, com blocos de texto forçadamente justificados, como na coluna do Michel Lent Schwartzman. Os ícones e cores utilizados também são muito fracos.

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