Oblivion

Vídeo que apresentei no 7º SEPEX / II Intertela. O título do vídeo e das três seções fazem referência ao livro Oblivion, do escritor americano David Foster Wallace e principalmente à história Good Old Neon, que apresenta um solipsismo exacerbado do narrador da história através de um percurso que contesta a captação de uma realidade que é arbitrariamente mensurada através do desencadeamento temporal e da limitação da língua.


Oblivion from Ciberarte on Vimeo.

Sopão de Filmes – A Represa e o Fim do Mundo

Em Outubro o cineclube SOPÃO DE FILMES traz 2 médias metragens delineados por represas hidroelétricas. O tema, presente nos dois documentários diametricamente opostos em termos de estilo e perspectiva, se manifesta na coincidência das consequências: reais ou imaginadas, ambas alertam para uma extinção, um fim.

“Dyckias – Tempos de Extinção” de Iur Gomez (Fpolis, SC) aborda os resultados ecológicos e sociais da implantação da usina hidroelétrica Barra Grande no Vale do Rio Pelotas, fronteira de SC com RS.

Já o inusitado “Quando o Rio Sonha” (Cuando El Rio Sueña) de Verónica Rocha (Córdoba, Argentina) reconta as reações absurdas de uma pequena cidade quando um apocalíptico boato inunda o imaginário da população. Como sempre, uma sopa vai deixar a sessão submersa em bons filmes e boa conversa.

Dyckias – Tempos de Extinção
Direção e Roteiro: Iur Gomez e Jonas Edson Pinto.
Documentário, 52 min, 2007, Fpolis, SC

Cuando El Río Suena (Quando o Rio Sonha)
de Verónica Rocha.
Documentario, 42 min, 2003, Cordoba, Argentina

Seja bem vindo!

O quê:
cineclube SOPÃO DE FILMES apresenta: “A Represa e o Fim do Mundo”

Quando:
Domingo, 26/10, 19:30

Quanto:
Entrada franca, com doação sugerida de R$ 1

Onde:
Espaço Cultural Pomar das Artes
R. Antonio Carlos Ferreira, 418 – Agronomica
(inicio do Morro do Horacio, mesma rua do posto Angeloni beira-mar)

Contato:
Sopao.De.Filmes@gmail.com
(48) 9941-2714
www.SOPAOdeFILMES.blogspot.com.br

Um Road Movie em busca da solidão

falsche-bewegung“Movimento em Falso” (1975) é essencialmente um road movie (Este é a segunda parte da “Trilogia Road Movie” de Wim Wenders, que também inclui Alice in the Cities (1974) e Kings of the Road (1976). Notadamente é o único dos 3 filmes em cores.) sobre solidão, que acompanha a procura não muita clara de um aspirante a escritor, Wilhelm (Rudiger Volger), que admite abertamente não ser um bom observador das pessoas, o que põe em xeque sua pretensão de representar a alma humana. Após deixar seu opressivo lar materno, Wilhelm parte em sua viagem, aglomerando seguidores no caminho, solitários e artistas como ele. Os personagens aparecem aleatoriamente, interagem, e desaparecem, como em uma breve odisséia, cuidadosamente composta de tomadas com atenção meticulosa aos detalhes, como é próprio do diretor Wim Wenders.

Nastassja Kinski aparece aqui como a personagem Mignon, em seu primeiro filme, muda, sem falas e se utilizando apenas de expressões faciais e da linguagem corporal, fazendo pequenos truques e malabarismos de rua. Em alguns momentos surge como uma criança, em outras parece uma mulher mais velha. A atriz tinha apenas 13 anos na época das filmagens.

Os outros aventureiros são Laertes (Hans Christian Blech), um velho com um passado perturbador, que acompanha Mignon; Therese (Hanna Schygulla), que tenta romper a frigidez de Wilhelm; e Bernhard, que se faz perceber com um certo esforço inconveniente.

Entre as cenas memoráveis do filme, há uma em que o escritor e seus seguidores estão caminhando por algumas ruas, observando os moradores como verdadeiros etnógrafos. Um choro de bebê aqui, alguém gritando com eles ali. Eles param, observam silenciosos, como se pertencessem a outra espécie, como se não pudessem ou devessem interferir, interagir. E neste momento parecem todos a sombra de Wilhelm.

É muito fácil ver “Falsche Bewegung” como um filme superficial, ou em outro extremo, como um filme difícil. O título dá a pista, traduzido como “Wrong Movement” para o inglês e “Movimento em Falso” para o português. O que procura Wilhelm? Existe um caminho correto, e um errado? Que decisão tomar? Faz alguma diferença?