Cabeçote Universal

Escolha o giclê da seguinte maneira:
1) A cor do giclê deve ser igual a cor do cabeçote anterior (a ser substituído).
2) Conecte o giclê no cabeçote cinza.
3) Conecte a mangueira (A).

cabecote-universal

(*) Quando o cabeçote antigo for cinza não é necessário o giclê.
(**) No caso do giclê amarelo não é necessário a mangueira.
Contém 3 giclês (amarelo, caramelo e natural).

A nova Ciberarte

A sexta edição da Ciberarte, publicada no final de 2008, ganhou um projeto gráfico completamente novo, mais limpo, organizado e dinâmico. O novo design aposta em um tipo de navegação simples, objetiva e acessível, com uma interface preemptiva, que diminui a quantidade de clicks para chegar ao conteúdo desejado.

Na sexta edição da Ciberarte você poderá acompanhar o som dos fluidos, a música para poucos, os espaços coletivos e esquecidos, o lesbianismo nos quadrinhos, o admirável mundo novo, a recusa da guerra, o capitalismo infernal de Wall Street e o entulho planetário habitado pelas baratas…

capa da ciberarte nº06

Diferença e Repetição

Na cidade, vez ou outra você parece estar num labirinto, e não sabe exatamente onde virar, se à esquerda, ou à direita. Pára, dá uma olhada com calma para os lados, procura por placas de sinalização, alguém para pedir informação, mas não encontra nada. Então você toma o caminho que parece o mais fácil e lógico: Vira à direita na primeira esquina, sobe a rua, pega a escadaria, vira novamente, pega o calçadão, passa por dentro da praça, pega a rua de lajotas e num passe de mágica, acaba chegando ao ponto de partida. Você fica espantado, olha em volta para se certificar de onde está e percebe que realmente voltou ao ponto inicial desse labirinto dentro da cidade. Por sorte, dessa vez você percebe um simpático boteco logo ali na calçada do outro lado da rua e decide, antes de tentar seguir um novo caminho, refrescar um pouco a garganta. Senta-se e pede uma cerveja. Bebe sossegado, enquanto observa o fluxo de pedestres. Nesse momento, percebe um homem na calçada do outro lado da rua, estranhamente parecido com você, vestindo até a mesma roupa, parado no mesmo local onde você estava da primeira vez. O homem olha para um lado, olha para o outro, troca um olhar rápido e espantado com você e toma o mesmo caminho que você havia tomado anteriormente. Você fica intrigado com as similaridades. Paga a cerveja e sai apressado atrás daquele homem, que parece a sua cópia. Mas ele vai apressado e você quase não consegue acompanhá-lo. O homem vira à direita na primeira esquina, sobe a rua, pega a escadaria, vira novamente, pega o calçadão, passa por dentro da praça, pega a rua de lajotas e você acaba perdendo o sujeito no final, mas chega ao mesmo ponto inicial novamente. Você olha para aquele boteco do outro lado da rua e lá está aquele homem, estranhamente parecido com você, bebendo cerveja. De repente ele olha para você, como se o conhecesse. Você fica aflito e sai correndo, enquanto percebe que, às suas costas, o homem paga a cerveja e sai em seu encalço. Você vira à direita na primeira esquina, sobe a rua, pega a escadaria, vira novamente, pega o calçadão, passa por dentro da praça…

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 10/01/09  p.3)

Grandes Esperanças

Adamastor sentou-se em frente à folha de papel, com a caneta em punho. Era o último dia do ano e os fogos deixavam claro que o momento mágico se aproximava, o momento da transmutação do tempo, quando o relógio imaginário e arbitrário mudaria a última casa do número oito para o nove. E lá estava ele, preparado para escrever uma lista com os projetos para 2009, coisa que nunca fez na vida e que sempre achou de uma cretinice sem tamanho, mas acabou se rendendo dessa vez. Afinal, com todas as dívidas que Adamastor havia contraído neste ano que acabava, com todas as desilusões com as mulheres e amigos, não custava nada tentar uma última saída, fazer seus planos e desejar, sozinho em seu apartamento na virada do ano, que 2009 fosse diferente.

Faltando poucos minutos para a virada, Adamastor já havia escrito uma relação de projetos, uma lista de pedidos e também havia enumerado todas as promessas para o ano que estava ali batendo à sua porta. E não é que alguém realmente bateu à porta naquele instante? Adamastor foi atender e deu de cara com um ancião, que foi entrando sem pedir licença, sentou-se no sofá e colocou os pés em cima da mesinha de centro. A barriga transbordava para fora da camisa. Adamastor não teve dúvidas e exclamou convencido:

— Ano Velho! Você veio se despedir?

— Que Ano Velho, o quê Adamastor, eu sou o Ano Novo, o Velho já está na UTI desde o início do ano e estive substituindo ele desde então, nos bastidores, e agora vou ter que trabalhar mais um ano inteiro. E ainda por cima, todo mundo espera muito de mim!

De repente, o Ano Novo caiu no choro, desesperado, trêmulo, pensando no trabalho enorme que teria pela frente, sem descansar, sem férias e provavelmente logo teria que pedir ajuda para 2010, pois não aguentaria o tranco. Adamastor olhou então para as dez páginas que havia escrito, com projetos, pedidos e promessas. Enquanto o Ano Novo chorava no sofá, ele rasgou todos os papéis e colocou na lixeira. Foi até a cozinha e pegou uma espumante e dois copos.

— Não fique assim, meu velho, tome um gole e vamos para a varanda ver os fogos.

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 03/01/09  p.3)

O abraço de Natal

Era noite de Natal e Thiago estava sozinho em casa, deprimido. Precisava de um abraço, uma conversa amiga. Foi aí que o telefone tocou:

— Oi, querido, é a Lucinha, liguei pra te desejar Feliz Natal! Queria estar aí pra te dar um abraço!

— Certo, tô indo aí, me aguarde!

— Mas… peraí, não esquece que…

Thiago desligou antes que ela discordasse. Já estava na estrada quando o carro ficou sem combustível. Correu até o posto e só então percebeu que ainda estava usando suas pantufas do Mickey. Berrou para o frentista:

— Por favor, gasolina em um saco de emergência!

— Quanto?

Thiago vasculhou o bolso e encontrou apenas algumas moedas.

— Coloca aí: 65 centavos de gasolina! Da comum, hein!

O frentista colocou o combustível no saco e lhe entregou:

— Ok, tá aqui, foi R$ 2,65.

— Mas eu pedi só 65 centavos!

— É, mas o saco de emergência é R$ 2,00, então…

— Entendi, entendi. Faz assim, não tenho mais dinheiro, vou deixar o relógio de garantia, pode ser?

— Não é do Paraguai, né?

— Não, não, me entrega essa gasolina duma vez!

Thiago pegou a gasolina e correu em direção ao carro, que estava sendo guinchado naquele momento. Ainda tentou evitar, mas o motorista do guincho não ouviu seus gritos. Sem pensar duas vezes, correu pra casa de Lucinha. Faltavam apenas uns 3 km e a chuva que começava não estava tão forte assim.

Chegou quase sem fôlego. Tocou o interfone várias vezes, sem resposta. Então lembrou com espanto que Lucinha havia viajado para a casa dos pais e só voltaria em um mês. Não agüentando a pressão, Thiago perdeu a consciência…

Quando abriu os olhos, estava em um quarto de hospital, usando uma camisa-de-força. Uma enfermeira surgiu na porta e ele perguntou:

— O que aconteceu comigo?

— Você não lembra de nada?

— Não, o que houve?

— Lá pelas 3h30, recebemos uma ligação avisando que havia um louco gritando na rua. Quando a ambulância chegou, você estava lá, todo molhado, usando pantufas do Mickey, segurando um saco de gasolina e gritando sem parar: “Quero meu abraço de Natal! Quero meu abraço de Natal!”

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 27/12/08. p.3)