Oblivion

Vídeo que apresentei no 7º SEPEX / II Intertela. O título do vídeo e das três seções fazem referência ao livro Oblivion, do escritor americano David Foster Wallace e principalmente à história Good Old Neon, que apresenta um solipsismo exacerbado do narrador da história através de um percurso que contesta a captação de uma realidade que é arbitrariamente mensurada através do desencadeamento temporal e da limitação da língua.


Oblivion from Ciberarte on Vimeo.

Clube da Luta – 10 anos de Catavídeo e Pintô Sujera

O Clube da Luta terá uma edição especialíssima no bruxólico dia 31 de outubro, próxima sexta.

Além dos shows com Coletivo Operante, Missiva e Sociedade Soul ( ex-Gubas) , haverá a comemoração dos 10 anos do coletivo audiovisual Pintô Sujêra e do Catavídeo – Mostra de Vídeos Catarinenses.

Os lutadores do audiovisual se juntam aos lutadores da música para fazer tremer as paredes da Célula nessa grande comemoração.

Mais informações no site do Pinto Sujêra.

Via: Ulysses Dutra

O Trípede

Por volta de 1890 o senhor Johanssen, voltando para casa depois de uma jogatina, avistou um trípede entre as ovelhas em uma pastagem iluminada pelo luar. Incerto se a visão era fruto da cerveja escura ou do tabaco mofado que o velho Hermann o obrigou a fumar, Johanssen se armou com um pedaço de pau que tinha a seus pés e corajosamente perseguiu a criatura enquanto as ovelhas (que bem poderiam ser patagônicas) assobiavam e faziam apostas sobre quem venceria a disputa. Neste momento Lutia sacudiu o marido na cama para ver o que era aquela gritaria lá fora e ele respondeu com um resmungo. No dia seguinte encontraram Johanssen inconsciente na beira de um riacho. Uma das pernas lhe faltava.

O nome das coisas

A mulher chegou à loja de armarinhos e uma das vendedoras foi atendê-la:

— Olá, posso ajudar a senhora?

— Estou procurando uma daquelas coisas que espetam.

— A senhora quer agulhas ou alfinetes?

— Não, não, uma daquelas coisas que espetam para poder prender um tecido no outro.

— A senhora quer costurar um tecido no outro?

— Não, quero apenas prender antes de costurar. Sabe aquelas coisas pontudas, que dão duas voltas, igual uma mola, e depois prendem do outro lado? Geralmente são cromadas, mas podem ser douradas também. E apenas uma das pontas que espeta, esse é um detalhe importante!

A vendedora olhou intrigada, sem entender exatamente o que a mulher queria. Seria uma máquina de costura, um grampeador, um clips, uma pinça?

— Vocês têm uma lista de coisas pontudas aqui na loja?

— Não, senhora, infelizmente não temos. A senhora tem certeza que é algo de corte e costura? Não seria melhor a senhora ir a uma loja de ferragens?

— Não, minha querida, é aqui mesmo que eu compro. Agora não recordo o nome dessa coisa, mas logo consigo lembrar…

A vendedora resolveu chamar o gerente para ajudá-las.

— Seu Osmar, o senhor poderia dar uma mãozinha aqui? Esta senhora quer um produto, mas não lembra o nome e não estou conseguindo entender o que é.

O gerente pegou um bloco de notas e uma caneta e ofereceu à cliente:

— A senhora pode tentar desenhar para nós, o que acha?

— Sou péssima em desenhos, mas posso tentar. Deixa-me rabiscar então. Não, este ficou ruim, me deixa tentar novamente. Pronto, esse ficou bom, é algo mais ou menos assim, mas não tão grande.

A vendedora pegou o esboço da cliente e não conseguia identificar aquilo. Tinha uma bolinha e duas pontas que lembravam pequenos chifres e na ponta de um dos chifres havia um pequeno triângulo. Depois de mais algumas tentativas, finalmente descobriram que a cliente queria uma pregadeira. A cliente olhou satisfeita para a pequena peça de quinze centavos. Prestativa, a vendedora falou:

— A senhora precisa de mais alguma coisa?

— Por acaso você teria uma daquelas coisas compridinhas, em zig-zag, usadas para fazer acabamento na beirada do tecido? Fugiu-me o nome…

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 25/10/08. p.3)

Lista de Schindler

Voltando da UFSC, no semi-direto, ouvi uma garota fazer a sinopse desse filme para o amigo:

— Você não lembra da Lista de Schindler? Vou te contar: tem um cara; ele tem um hotel… não; ele tem uma fábrica e salva as pessoas dando emprego para elas, mas no fim ele chora um monte, pois percebe que poderia ter salvo muito mais. Lembrou do filme?

— Não, eu não vi esse filme.

— Mas você falou que tinha visto com o seu pai.

— Não, não vi.

— Que droga, agora contei o final pra você!

Sopão de Filmes – A Represa e o Fim do Mundo

Em Outubro o cineclube SOPÃO DE FILMES traz 2 médias metragens delineados por represas hidroelétricas. O tema, presente nos dois documentários diametricamente opostos em termos de estilo e perspectiva, se manifesta na coincidência das consequências: reais ou imaginadas, ambas alertam para uma extinção, um fim.

“Dyckias – Tempos de Extinção” de Iur Gomez (Fpolis, SC) aborda os resultados ecológicos e sociais da implantação da usina hidroelétrica Barra Grande no Vale do Rio Pelotas, fronteira de SC com RS.

Já o inusitado “Quando o Rio Sonha” (Cuando El Rio Sueña) de Verónica Rocha (Córdoba, Argentina) reconta as reações absurdas de uma pequena cidade quando um apocalíptico boato inunda o imaginário da população. Como sempre, uma sopa vai deixar a sessão submersa em bons filmes e boa conversa.

Dyckias – Tempos de Extinção
Direção e Roteiro: Iur Gomez e Jonas Edson Pinto.
Documentário, 52 min, 2007, Fpolis, SC

Cuando El Río Suena (Quando o Rio Sonha)
de Verónica Rocha.
Documentario, 42 min, 2003, Cordoba, Argentina

Seja bem vindo!

O quê:
cineclube SOPÃO DE FILMES apresenta: “A Represa e o Fim do Mundo”

Quando:
Domingo, 26/10, 19:30

Quanto:
Entrada franca, com doação sugerida de R$ 1

Onde:
Espaço Cultural Pomar das Artes
R. Antonio Carlos Ferreira, 418 – Agronomica
(inicio do Morro do Horacio, mesma rua do posto Angeloni beira-mar)

Contato:
Sopao.De.Filmes@gmail.com
(48) 9941-2714
www.SOPAOdeFILMES.blogspot.com.br

Evidências de Franklin Cascaes

No último dia 16 de outubro foi comemorado o centenário de nascimento de Franklin Cascaes e lembrei dum causo que ocorreu comigo em 1999, enquanto fazia parte do conselho editorial da revista Poité e fui encarrego de colocar os números anteriores da revista na rede. Meu trabalho era digitalizá-las; aplicar o OCR; revisar e publicar no antigo site da Poité. Decidimos que apenas alguns artigos seriam publicados na rede, entre eles um sobre Franklin Cascaes intitulado O conflito entre o ingênuo e o realismo fantástico na obra de Franklin Cascaes – uma primeira visão, por Evandro André de Souza. Naquela época os programas de OCR ainda eram muito antiquados e o resultado final não ficava muito bom. Assim, quando o programa tentou interpretar a legenda da segunda imagem do artigo, a frase “Viagem bruxólica à Índia” acabou se transformando em “Vingom braxólkcu k fndiu”. Fiquei intrigado com aquela combinação de caracteres, e registrei-a em um bloco de notas. Continuei o trabalho e esqueci da anotação. Alguns dias depois, revisando minhas anotações, encontrei aquela estranha frase e não consegui lembrar de imediato do que se tratava. Foi então que tive a idéia para o conto Evidências, que publiquei aqui no Bruxismo algum tempo atrás, onde conto a história da autópsia do Vingom. Mais tarde, em 2005, em parceria com o quadrinhista E. C. Nickel, Evidências foi adaptado para os quadrinhos junto com mais alguns de meus contos em um álbum de pouco mais de 50 páginas. Não sei se o conto ou a HQ têm alguma relação com a obra de Franlkin Cascaes, mas sem dúvida, não existiriam sem este incidente.

INTERTELA: mostra de videopoemas

A partir de pesquisas desenvolvidas no NELOOL (Nucleo de Literatura, Oralidade e Outras Linguagens) na área das oralidades midiáticas, o grupo de pesquisadores abaixo relacionados começou a pensar um modo de criar uma prática artística híbrida com a poesia e a imagem.

O que é intertela? A entretela ou intertela é parte do vestuário. Esse aviamento técnico cuja estrutura e acabamento determinam o resultado final de uma peça confeccionada passa a ser o mote para uma proposta artística. Do adereço à arte híbrida, a idéia é mostrar a literatura em movimento que cria novos gêneros no encontro entre imagem, palavra e som. De que modo esses signos podem ser reunidos em um bem simbólico? As linguagens podem ser costuráveis; fusionáveis ou há algum entrelugar entre a criação e a recepção em que essas práticas recentes podem ser lidas com arrebatamento ou olhar crítico?

O INTERTELA nasceu no ano de 2007, em diálogos entre o NELOOL (Núcleo de Literatura, Oralidade e Outras Linguagens) e o LEC (Laboratório de Estudos de Cinema), a partir de um desejo de experimentar esses limites.

O grupo formado por Alai Diniz, Henrique Finco, Daniela Bunn, Aline Maciel, Aglair Bernardo e Aline Quites, ganhou a adesão de 22 videopoetas que se apresentaram a uma platéia de 56 pessoas, no dia 30 de novembro no CIC.

Não queremos parar agora e por isso convidamos os poetas a testarem essa alternativa para exporem suas obras e para enriquecermos a discussão sobre essa viagem intersemiótica.

Achamos que o SEPEX poderia encampar nosso desejo.

Que tal inscrever seu videopoema?

Faça-o diretamente no NELOOL (CCE/ B sala 419) até o dia 22 de outubro de 2008 ou na secretaria do SEPEX.

O videopoema deve estar em Formato AVI;
Duração: até cinco minutos;
O nome dos autores devem estar claramente indicados na capa e no DVD.

Maiores informações: mostra.intertela@gmail.com

Um abraço à todos,
A Comissão

Pescaria

Se você procurar em torno do prédio talvez encontre alguma coisa, mas duvido muito, ontem mesmo eu verifiquei tudo. Minha filha pediu pra eu catar umas sementes daquele abacateiro, falou que o professor queria fazer uns trabalhos de colagem, mas você sabe, o gás vai aumentar, leu no jornal? Pois então, eu tava pensando em converter meu carro, mas estou com medo daquele venezuelano. Nem me fale nisso, como é que dizem lá em cima mesmo? Qual o teu nome afinal? Também não precisa ficar nervoso, eu havia escavado bem aqui embaixo da minha mesa, percebeu? Esse cheiro é do barro vermelho, veja que interessante, as minhocas grudam que é uma maravilha, dizem que elas adoram e traciona bem. Agora, quando chove é um desespero pras oligochaetas, porque são não-anfíbias, preste atenção neste detalhe! Nada como um bom anzol nessas horas, coço meu pé só de pensar, dá vontade de sair correndo e lançar a linha ali do morro, sacudir o chão com aquele rapaz olhando pelas frestas da janela, pulando no mar, agarrando o pescoço do Ferdinando, que já estava dormindo, amarrado às cadeiras, agitando barbantes longos, tristes linhas horizontais. Seu grande jumento, saia do meio da rua, com seu instrumento de metal e vidros, triturando e produzindo toda essa poluição desmedida! Pense na família reunida com o rio correndo embaixo das camas, os homens vestidos de bolas de boliche, pois nem todos têm a coragem de levantar da cadeira e rodar, só porque amarram os caniços.

Dear Heinz

Some weeks ago I wrote you asking how to sell Bavarian rabbits in Brazil. Your answer arrived fast as a blink and after this I call my wife (on travel in Germany [by train, as you see) to bring us a rabbit to “make experiences”. She arrived last week, not with a rabbit, but with two cute precious Bavarian rabbits in her luggage: one Colorsaplash and one Supersampler. We made some “experiments”; we talk about and we decided to sell the rabbits in Brazil. Of course that first we need to know if this is possible. Now, lets see how we proceed. But first, the answers you need:

1. No, I don’t have my own shop. Nowadays I work as an aestheticallycleanpixelstyle.

2. And no, I don’t have a distribution network, but I am thinking about creating an e-shop specially developed to Brazilian buyers. I want to create a strong Brazilian digital community in this site, with forums, contests, expositions…

So what do I need? Do I need to have an importing company? Let me know the procedures to transform in reality this project.

Thanks in advance. Best wishes & rabbits on!