Oficina: A internet como suporte e divulgação do trabalho artístico

imagem-animadaAs universidades brasileiras estão ligadas através da rede mundial de computadores desde 1989. A partir de abril de 1995, o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia decidiram liderar um esforço comum na implantação de uma rede integrada entre instituições acadêmicas e comerciais. Em 1999 poucas pessoas utilizavam a internet no Brasil. O novo canal de comunicação ainda era considerado por muitos um passatempo para os nerds ou apenas um canal de comunicação para troca de e-mails. As empresas faziam seus sites simplesmente para não ficar de fora e utilizavam a rede como se fosse um análogo aos panfletos impressos.

Em 1999, poucos artistas antenados publicavam seus portfolios na web e alguns já utilizavam a grande rede mundial dos computadores como suporte em potencial para a sua arte. A net art, webart ou cyberart, o tipo de arte que utiliza como suporte a internet, começou a se popularizar no fim da década de 90, com projetos que se tornaram referências no meio, como as web-instalações Superbad, Jodi e Entropy8. A arte que utiliza a internet tem influências diversas, que vão do dadaísmo a arte conceitual, Fluxus, pop art e arte cinética.

Mas, muito mais que um suporte, a Internet é uma poderosa ferramenta de divulgação com suas mídias sociais como o Flickr, um portal mundial de fotografia; o Vimeo, um refinado canal para publicações de vídeos artísticos; o Tumblr e o Twitter, duas ferramentas em rápida expansão para a publicação de microblogs.

Vinte anos se passaram desde que a internet chegou ao Brasil e hoje cabe ao artista conhecer e explorar todos esses canais e ferramentas tecnológicas para divulgar seu trabalho a um público cada vez mais especializado e interativo, que não encontra na TV e nos impressos, mídias estáticas, o tipo de trabalho refinado que ele procura.

E como descobrir e explorar todos esses canais de comunicação e interatividade?

4 encontros : SEXTAS das 15h ás 17h

1º Encontro – 21/08/09 Contexto histórico: porque a internet foi criada e como ela funciona. Comparação com outras mídias e popularização do seu uso no Brasil. Como explorar as possibilidades oferecidas pela grande rede global de computadores e o que reserva o futuro?

2º Encontro – 28/08/09 Explorando as mídias Sociais: blogs, microblogs (Twitter), wikis, bookmarks sociais (Delicious), compartilhamento de fotos (Flickr) e vídeos (Vimeo).

3º Encontro – 04/09/2009 Web art: origens (mail art, fax, telefone, scanner, TV, etc.) e precursores (Superbad, Jodi, Entropy8); a produção brasileira e eventos no Brasil (FILE, Prêmio Sergio Motta, Itaú Cultural, 24ª Bienal de São Paulo).

4º Encontro – 11/09/2009 Estudos de caso:
k10k.net e cpluv.com: arte e design, portais de webdesign;
modernista.com: a exploração das mídias sociais em um não-site;
pdf-mags.com: uma central de revistas de arte e design em PDF;
bornmagazine.org: um site experimental unindo literatura e arte interativa.

Aleph Ozuas é Bacharel em Letras Inglês e mestre em Teoria Literária pela UFSC. Trabalha com desenvolvimento para web desde 1998 e em 2000 criou o site Ciberarte, com exposições virtuais e ensaios sobre literatura e artes visuais.
Valor da Oficina: R$ 150,00

centro cultural arquipélago
de terça a sábado, das 16h às 20h
rua idalina pereira dos santos, 81 . agronômica
88025-500 . florianópolis . sc . [48] 3024 5066
arquipelago.art@gmail.com

Os dissidentes contra-atacam

[one-fourth-first]É claro para mim que a Internet será um canal fortíssimo para fortalecimento do poder dos cidadãos chineses a médio prazo. É impossível nos dias de hoje uma economia com a potência e o crescimento exponencial da China ainda tentar manter as rédeas sobre a rede. Tentam, mas não conseguem, pois a profusão de serviços oferecidos aos “dissidentes” do regime permite a estes “rebeldes” chineses consumir e produzir o mesmo tipo de conteúdo produzido em outras partes do supostamente mundo democrático. Trocar idéias, escrever e ler textos proibidos. Não dá mais pra esconder o resto do mundo dos chineses.[/one-fourth-first]

[one-fourth]Atualmente cerca de 14% da população chinesa utiliza a Internet, por isso não podemos criar ilusões a respeito da “munição” que a rede pode suprir na discussão pela falta de liberdade de expressão e outros problemas do sistema hibrido que se tornou a China, onde a produção de capital depende do controle do indivíduo (sim, isso também ocorre nos mesmos paises que atacam e criticam a China). Mas também é verdade que estes 14% vivem nos grandes centros, nas áreas metropolitanas e por isso tem mais condições de ecoar as suas vozes, mesmo que internacionalmente, como no caso do novo processo contra o Yahoo, o segundo, alavancado por uma jurisprudência e um acordo milionário fora dos tribunais que provavelmente farão o Yahoo se arrepender.[/one-fourth]

[one-fourth]Então nós chegamos a outro detalhe importante da transformação chinesa. As mesmas grandes empresas que defendem a disseminação de informação, liberdade de expressão e a privacidade dos seus usuários/clientes, pratica diametralmente o oposto na China com o argumento de que precisa respeitar as políticas diferentes de cada país. Ora, nós sabemos muito bem que na verdade o que interessa são os lucros do Yahoo e de outras marcas fortes da Internet, que interessadas no crescente mercado chinês, resolveram não ficar de fora e descaradamente deram o aval ao Sr. Jintao, que apesar de tentar parecer um liberal, é visto atualmente como um linha-dura no que diz respeito à censura da mídia chinesa e outras políticas reformistas.[/one-fourth]

[one-fourth]Mas, acredito que a médio prazo a sede por mudanças e esse novo recurso dos chineses de brigar nos tribunais internacionais, onde ficam as matrizes dessas mesmas campainhas que poderiam ser os instrumentos para as tão desejadas reformas na China, farão toda a diferença. Mais do que o prejuízo com encargos legais e as indenizações, as grandes marcas da web não desejam arranhões na sua reputação.[/one-fourth]

Códigos de barra e códigos de matriz

QR CodeLembro lá nos anos 90, quando apareceram finalmente aqui pelo Brasil os códigos de barras. No início era um luxo para algumas grandes marcas e depois se tornou obrigatório a sua adoção por todas as empresas. E facilitou muito a vida dos caixas, que antes precisavam digitar o valor de cada mercadoria. A utilização efetiva do sistema começou nos EUA às 8:01 a.m. de 26 de junho de 1974, com um cliente que comprou um pacote com 10 chicletes Wrigley. Esta embalagem ficou famosa e hoje está exposta no Museu Nacional da História Americana do Instituto Smithsonian. Atualmente, mesmo no Brasil, qualquer “vendinha” utiliza o código de barras dos produtos para poder registrar e somar o total das compras.

O sistema foi sendo aperfeiçoado e surgiram os códigos de matriz, que podem armazenar mais informações e até mesmo textos. Entre eles, o mais difundido atualmente é o QR Code, um sistema criado pela empresa japonesa Denso-Wave em 1994. O sistema foi inicialmente criado para rastrear os componentes de veículos em linhas de fabricações de automóveis, mas atualmente são utilizados de forma bem mais ampla. Por exemplo, muitas propagandas impressas em revistas vêm acompanhadas de um pequeno QR Code com o endereço do site do anunciante. O leitor, armado com um celular com câmera fotográfica (o que não é muito difícil hoje em dia) pode fotografar a imagem do QR Code impressa e o celular, equipado com um software específico, que pode ser baixado na web neste endereço, interpreta o código automaticamente e visita o website da empresa anunciante. Este é apenas um dos usos do sistema, que é considerado uma interface entre o mundo físico e o digital. O código pode guardar vários tipos de informações, desde o preço das mercadorias, que é o uso mais comum, até endereços de sites, e-mails, telefones e mesmo trechos de texto. Por exemplo, o último cachecolparágrafo deste post é representado pelo QR Code ali acima, à esquerda. Se você tiver um celular correto poderá transferir o texto acima automaticamente para ele, já em forma de caracteres e editáveis. Para fazer esta conversão, utilizei o QR-Code Generator.

E o uso não para por aí. A “beleza” visual do caiu no gosto dos geeks e já existem até cachecóis tricotados que mostram QR Codes junto com os monstrinhos do Space Invaders. Uma colaboração entre os designers e pixel-tricotadores de roupas da Office Lendorff e os entusiastas de celulares da suíça Kaywa.

Rede interna

falanteNão sou um purista em termos de utilização do português, por isso uso repetidamente termos como web design, web development, website e várias outros tecnoneologismos que a Internet exige. No entanto tenho utilizado por vezes termos aportuguesados ou traduzidos do jargão ligado ao meu trabalho. Às vezes uso sítio digital para website, ou simplesmente sítio, principalmente em meus trabalhos acadêmicos, na área da literatura, ao qual também pertenço. Troco e-mail por mensagem eletrônica ou email sem o hífen. Já vi algumas pessoas escolhendo o nome próprio Emílio para designar o e-mail, ou então a palavra imail. Os franceses, que fazem questão de traduzir todos os termos de Internet e informática, chamam o e-mail de courrier électronique e traduzem e adaptam muitos outros termos, como réseau informatique para network.

Mesmo dominando a língua inglesa, e talvez por isso mesmo, me soa artificial continuar utilizando alguns termos importados. Mas a solução do aportuguesamento às vezes pode soar ainda mais estranha, como no exemplo do e-mail acima, pois deixa para trás o significado original que o termo pode trazer. Outro exemplo: a troca de blog por blogue. No original, blog é uma palavra-valise (uma palavra ou morfema que faz a fusão de duas ou mais palavras) de web log, algo como “registro da rede”, um site onde o autor registra em ordem cronológica os seus passeios pela rede mundial de computadores (World Wide Web, com iniciais maiúsculas). Nesse caso não há o que inventar e o melhor é utilizar o termo original mesmo.

Meu posicionamento pode parecer às vezes duvidoso, e como já falei no início dessa postagem (post), costumo utilizar tanto a forma original do termo, como outra forma já difundida do mesmo em português ou alguma improvisação de momento. Outro dia li em um artigo do Diplomatique Brasil que mesmo os franceses ferrenhos protetores de sua língua, vêem-se cada vez mais encurralados pela língua mundial e são obrigados a falar o inglês, em seu próprio país, quando trabalham em multinacionais de língua inglesa.

Bem, mas o negócio é se adaptar a cada ocasião, não dá pra ser chato demais e ficar traduzindo tudo, mas ao mesmo tempo nada impede de brincar com as palavras e criar seu próprio dicionário de termos. Essa (ainda) é a vantagem de sermos humanos e não autômatos, somos diferentes e cada um tem seu léxico pessoal, uma mistura de experiências, crenças e sentimentos. Mas isso já é assunto para outro post.

Coisas de Regininha

Regina CarvalhoO blog 11Pixels faz parte de uma nova proposta do site Ciberarte, que é trazer blogs autorais para sua rede. A coisa ainda está engatinhando, mas, além do 11Pixels, já temos o Gato Preto, o Do Peri, o Bruxismo e nossa última novidade, o blog Coisas de Regininha, da amada Regina Carvalho, que foi minha professora e de mais uma multidão na UFSC. A Regina, que agora é cronista do jornal A Notícia, escreve crônicas, artigos, poemas, informa sobre lançamentos literários e outras barbaridades do tipo em seu novo endereço. Seja bem vinda Regina!

aliens e o sublime

aliens e o sublimeEstou participando da organização de uma mostra multi-artística e de vídeos vanguardistas na UFSC, resultado da disciplina Aliens e o Sublime, da pós-graduação de literatura ministrada pelo professor Sérgio Medeiros. A mostra recebeu o mesmo nome da disciplina e contará com performances, apresentação de slides, música, leitura de contos e uma ótima seleção de vídeos vanguardista, incluindo filmes de Man Ray, Marcel Duchamp, Fernand Léger, do Grupo Fluxus, Samuel Backet e do vídeo artista Bill Viola. Será no dia 28.09.2007, das 13h30 as 18h, no auditório do prédio B CCE/UFSC. Visite o site do evento para saber mais e conferir a programação detalhada. Após a mostra, todos os trabalhos ficarão disponíveis no site.

A diferença entre Internet e Web

InternetSempre gosto de enfatizar aos meus clientes que Internet e Web são coisas distintas. A Internet é uma rede de computadores conectados e descentraliados com o propósito de trocar informações. Existem várias formas de transferir essas informações entre os computadores conectados na rede, incluindo emails, transferencia de arquivos através de FTP e ferramentas P2P e outros meios de troca conhecidos como protocolos. A World Wide Web (chamada simplesmente de Web) é apenas um desses meios de trocar informações, através do protocolo HTTP ( HyperText Transfer Protocol), algo como Protocolo de Transferência de Hipertexto. Uma de suas particularidades mais poderosas é a capacidade de conectar um documento ao outro, os conhecidos links, que formam o grande hipertexto no qual se tornou a Web.

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