Arquitetura Ecológica

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Hoje à tarde encontrei esta bela residência em um dos poucos terrenos livres aqui no Kobrasol. Enquanto prédios altos nascem da noite para o dia, este cavalheiro parece ter resolvido seu problema de moradia com uma solução simples e ecológica. Eu havia passado pelo local um pouco mais cedo e fiquei encantado pela arquitetura da edificação. Cheguei a pensar que era uma obra de arte, uma instalação dessas milionárias que costumamos ver nas bienais. Voltei lá hoje à tarde e falei com o proprietário, o cavalheiro de costas, que preferiu não mostrar seu rosto na foto. Pedi a ele para documentar sua obra e ele permitiu sem contestar. Ainda me deu a honra de uma rápida entrevista:

Bruxismo: Ótima a sua casa, hein?
Proprietário: Sim, sim.
B: É inacreditável a quantidade de materiais de qualidade que as pessoas jogam fora. E não chove dentro dela?
P: Não. Coloquei plástico em cima.
B: Ninguém te incomodou aqui até agora?
P: Não.

Minha última pergunta dizia respeito aos curiosos, como eu, que irremediavelmente iriam incomodá-lo em relação à arquitetura de sua obra, nada mais. Afinal o terreno estava livre, sem uso e já entulhado com a matéria-prima que ele utilizou. Nada mais justo do que montar seu belo mosaico. Nem todo mundo está preparado para soluções tão imediatas assim e provavelmente ele deve estar se esquivando dos impostos e outras prisões do sistema. Mas ele não deve dar muita importância para essas coisas, como percebi em sua resposta para a última pergunta.

Lost.S04E02.HDTV.XviD-XOR

p2pAgora o Google está indexando a web quase em tempo real e é interessante ver o número de resultados aumentando rapidamente quando você digita um termo de busca recentemente “criado”. Por exemplo, o último capítulo do seriado americano Lost passou nos EUA ontem à noite. Os fãs ao redor do mundo, ávidos para assistir, vasculhavam a Internet atrás deste capítulo. E uma das formas mais rápidas para o seriado chegar aos espectadores é através do protocolo de compartilhamento de arquivos conhecido como BitTorrent.

Algumas pessoas copiam estes vídeos da TV para arquivos digitais no computador. O título deste post reflete o nome que é dado ao arquivo de vídeo de um seriado assim que ele é disponibilizado na Internet. Em primeiro lugar vem o nome do seriado, neste caso o Lost; depois a temporada (season) e o número do episódio, que é o S04E02 (quarta temporada, segundo episódio); a seguir temos a sigla HDTV, de TV de alta definição (high-definition television); XviD é o tipo de codec utilizado neste vídeo; por último temos a sigla XOR, que é o grupo de pessoas responsável por passar este filme para a Internet. Assinando os arquivos, os grupos criam certa credibilidade junto aos fãs da série, que procuram pela distribuição com sua assinatura. As siglas são necessárias para que os indivíduos por trás das distribuições mantenham suas privacidades e protejam-se de possíveis problemas legais, já que o que eles fazem é considerado pirataria.

Ontem à noite, em torno das 23 horas, logo após o seriado passar nas TVs estadunidenses, resolvi me juntar aos usuários ávidos pela série e comecei a vasculhar a rede atrás do episódio. Quando fiz a busca por Lost.S04E02.HDTV.XviD-XOR, havia apenas 3 resultados disponíveis e eram de sites duvidosos. Clicando nos links pude constatar que eram falsos, não era nenhum torrent original. Depois de 10 minutos eu tentei mais uma busca, lá estavam 5 resultados, ainda sem nenhum original. Então tive a idéia de criar um post com este título em um blog que tenho no Blogger para ver quanto tempo demorava para que ele indexasse no Google. Peguei a sinopse do capítulo na Wikipedia e criei o post, que apenas 8 minutos depois já constava nos resultados de busca e hoje durante o dia tive mais de 200 visitantes procurando por este item específico em meu blog.

Como a experiência mostrou, parece que a indexação está realmente mais rápida. Lembro que há algum tempo atrás poderia levar mais de uma semana para que um conteúdo recém publicado na Internet aparecesse nas ferramentas de busca, ou então aparecia mais rápido apenas para os sites com alto page rank (este blog que utilizei para a experiência tem page rank 2, muito baixo). Com a velocidade atual o Google torna-se ainda mais atraente para a pesquisa de informações imediatas, chegando a competir com sites de notícias ou mesmo com sites como o Digg, que depende dos usuários para construir seu conteúdo. Ferramentas de busca como o Google e protocolos de compartilhamento de arquivos como o BitTorrent exploram o poder dos usuários e mostram que a Internet não seria nada se não fôssemos nós, atrás de nossos teclados, ao redor do mundo, procurando e disponibilizando informações.

Carnaval no Google

Carnaval no GoogleParece que até o Google Brasil foi contaminado pelo carnaval, como mostra a logomarca aí ao lado, que aparece na página de entrada do site. Pelo pouco que entendo dessa festa, provavelmente é um mestre-sala e uma porta-bandeiras. E quando você clica na logomarca, vai direto para os resultados da procura pela palavra “carnaval”. Procurando um pouco mais sobre a autoria da logomarca, fui parar em uma notícia da Softpedia com os seguintes comentários:

Lindas mulheres, dançando quase nuas sob a luz do luar, o que mais pode querer um homem normal em suas férias? Se ele está sozinho, é claro, e com isso eu quero dizer “sem a sua esposa”, porque você nunca ficará sozinho no Brasil, especialmente durante o carnaval. Música alta, uma continua sensação de surrealismo e não vamos esquecer as belas mulheres, tudo isso fazem desse país latino-americano um lugar perfeito para relaxar após um longo ano (a tradução é minha, leia o texto completo neste link).

Para completar, além da logomarca do Google com essa tentativa de caracterização, uma mulher semi nua ilustra o texto. Acho que é perda de tempo entrar naquela longa discussão sobre as origens e importâncias da festa para a nossa tradição. Também não quero ser taxado de chato e conservador por não gostar do carnaval. Mas, comentários como esses mostram a visão de turismo sexual que os estrangeiros têm do nosso país. Resultado do esforço que é feito para divulgar a festa lá fora e para transformar o Brasil no país do carnaval e do futebol.

Microsoft compra Yahoo?

Microsoft compra Yahoo?Na sexta-feira passada, enquanto eu passava os olhos pelo meu leitor de feeds, conferindo as notícias do dia, uma delas me chamou a atenção, era uma notícia do IDG Now que dizia “Microsoft faz oferta para comprar Yahoo”. Não dei muita atenção naquele momento, e tratei de confirmar que estávamos longe do dia 1º de abril. Esquecido o fato, no meio da tarde um amigo me envia um e-mail com o engraçado título “Bill Portões X Gugol” e com a matéria na íntegra publicada no Estadão. Bem, a coisa era séria mesmo, não mais uma piada de mau gosto. Na noite de domingo, novamente nos meus feeds, tenho mais uma surpresa. No blog oficial do Google, o vice-presidente para o Desenvolvimento Corporativo e conselheiro jurídico da empresa, David Drummond, publicou um post com duras críticas contra a voracidade da Microsoft. Apesar dos números mostrarem que o Google não precisa ter muito a temer da possível compra, em termos de números de buscas, Drummond chamou a oferta da empresa de manobra hostil, acusou a Microsoft de monopólio na área dos softwares e disse que a empresa pretende exercer o mesmo tipo de influência ilegal e inapropriada na área da Internet.

microflickrEnquanto isso, os usuários do Flickr, uma das mais combativas comunidades da Internet, que já entraram em atrito e brigaram com oYahoo quando a empresa tentou exercer censura na comunidade, abominam a idéia da possível compra e iniciaram seus protestos na forma de imagens publicadas na comunidade. Em alguns novos grupos, como no sugestivo “Microsoft: Keep your evil grubby hands off of our Flickr”, algo como: Microsoft: Mantenha suas mãos sujas longe do nosso Flickr, os usuários podem enviar sua colaboração na forma de imagens manipuladas para mostrar o seu descontentamento, como na logo do Microflickr acima, ou então em uma outra que acabou ilustrando uma matéria do blog de tecnologia do The New York Times e mostra um túmulo com a marca Yahoo na lápide com um lindo gramado verde e um céu azul ao fundo, a pretendida felicidade fabricada em um dos conhecidos papéis de parede do Windows XP.

A Microsoft ofereceu US$ 31 (R$ 54,1) por cada ação, em um total de US$ 44,6 bilhões (R$ 78 bilhões). Esta oferta é 62% superior à última avaliação feita das ações do Yahoo, que seria de US$ 19,18 (R$ 33,5) por unidade. Até o momento ainda não houve resposta do Yahoo, mas a empresa informou em sua página que está analisando a oferta do Mr. Portões e Cia. O próximo passo será batizar a nova empresa. As apostas estão entre Microhoo e Yasoft.

Códigos de barra e códigos de matriz

QR CodeLembro lá nos anos 90, quando apareceram finalmente aqui pelo Brasil os códigos de barras. No início era um luxo para algumas grandes marcas e depois se tornou obrigatório a sua adoção por todas as empresas. E facilitou muito a vida dos caixas, que antes precisavam digitar o valor de cada mercadoria. A utilização efetiva do sistema começou nos EUA às 8:01 a.m. de 26 de junho de 1974, com um cliente que comprou um pacote com 10 chicletes Wrigley. Esta embalagem ficou famosa e hoje está exposta no Museu Nacional da História Americana do Instituto Smithsonian. Atualmente, mesmo no Brasil, qualquer “vendinha” utiliza o código de barras dos produtos para poder registrar e somar o total das compras.

O sistema foi sendo aperfeiçoado e surgiram os códigos de matriz, que podem armazenar mais informações e até mesmo textos. Entre eles, o mais difundido atualmente é o QR Code, um sistema criado pela empresa japonesa Denso-Wave em 1994. O sistema foi inicialmente criado para rastrear os componentes de veículos em linhas de fabricações de automóveis, mas atualmente são utilizados de forma bem mais ampla. Por exemplo, muitas propagandas impressas em revistas vêm acompanhadas de um pequeno QR Code com o endereço do site do anunciante. O leitor, armado com um celular com câmera fotográfica (o que não é muito difícil hoje em dia) pode fotografar a imagem do QR Code impressa e o celular, equipado com um software específico, que pode ser baixado na web neste endereço, interpreta o código automaticamente e visita o website da empresa anunciante. Este é apenas um dos usos do sistema, que é considerado uma interface entre o mundo físico e o digital. O código pode guardar vários tipos de informações, desde o preço das mercadorias, que é o uso mais comum, até endereços de sites, e-mails, telefones e mesmo trechos de texto. Por exemplo, o último cachecolparágrafo deste post é representado pelo QR Code ali acima, à esquerda. Se você tiver um celular correto poderá transferir o texto acima automaticamente para ele, já em forma de caracteres e editáveis. Para fazer esta conversão, utilizei o QR-Code Generator.

E o uso não para por aí. A “beleza” visual do caiu no gosto dos geeks e já existem até cachecóis tricotados que mostram QR Codes junto com os monstrinhos do Space Invaders. Uma colaboração entre os designers e pixel-tricotadores de roupas da Office Lendorff e os entusiastas de celulares da suíça Kaywa.