Oblivion

Vídeo que apresentei no 7º SEPEX / II Intertela. O título do vídeo e das três seções fazem referência ao livro Oblivion, do escritor americano David Foster Wallace e principalmente à história Good Old Neon, que apresenta um solipsismo exacerbado do narrador da história através de um percurso que contesta a captação de uma realidade que é arbitrariamente mensurada através do desencadeamento temporal e da limitação da língua.


Oblivion from Ciberarte on Vimeo.

INTERTELA: mostra de videopoemas

A partir de pesquisas desenvolvidas no NELOOL (Nucleo de Literatura, Oralidade e Outras Linguagens) na área das oralidades midiáticas, o grupo de pesquisadores abaixo relacionados começou a pensar um modo de criar uma prática artística híbrida com a poesia e a imagem.

O que é intertela? A entretela ou intertela é parte do vestuário. Esse aviamento técnico cuja estrutura e acabamento determinam o resultado final de uma peça confeccionada passa a ser o mote para uma proposta artística. Do adereço à arte híbrida, a idéia é mostrar a literatura em movimento que cria novos gêneros no encontro entre imagem, palavra e som. De que modo esses signos podem ser reunidos em um bem simbólico? As linguagens podem ser costuráveis; fusionáveis ou há algum entrelugar entre a criação e a recepção em que essas práticas recentes podem ser lidas com arrebatamento ou olhar crítico?

O INTERTELA nasceu no ano de 2007, em diálogos entre o NELOOL (Núcleo de Literatura, Oralidade e Outras Linguagens) e o LEC (Laboratório de Estudos de Cinema), a partir de um desejo de experimentar esses limites.

O grupo formado por Alai Diniz, Henrique Finco, Daniela Bunn, Aline Maciel, Aglair Bernardo e Aline Quites, ganhou a adesão de 22 videopoetas que se apresentaram a uma platéia de 56 pessoas, no dia 30 de novembro no CIC.

Não queremos parar agora e por isso convidamos os poetas a testarem essa alternativa para exporem suas obras e para enriquecermos a discussão sobre essa viagem intersemiótica.

Achamos que o SEPEX poderia encampar nosso desejo.

Que tal inscrever seu videopoema?

Faça-o diretamente no NELOOL (CCE/ B sala 419) até o dia 22 de outubro de 2008 ou na secretaria do SEPEX.

O videopoema deve estar em Formato AVI;
Duração: até cinco minutos;
O nome dos autores devem estar claramente indicados na capa e no DVD.

Maiores informações: mostra.intertela@gmail.com

Um abraço à todos,
A Comissão

Sistema de Animação

Uma amostra do documentário independente longa-metragem Sistema de Animação, a ser lançado no dia 6 de outubro de 2008 (segunda-feira) às 20h no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis/SC. Ingressos antecipados R$10 no TAC, na Batuka Groove e na Escola de Musica Rafael Bastos.

Trata-se de um espontâneo e dinâmico retrato do igualmente inusitado baterista Toucinho, lenda do underground musical brasileiro. O filme, dirigido pelos premiados Guilherme Ledoux e Alan Langdon, levou 5 anos para ser feito sem nenhum apoio financeiro e já recebeu uma Menção Especial da Critica Especializada no CATARINA Festival de Documentários 2008.

Vídeos Inteligentes

Big Think“Há espaço para conteúdo inteligente na Internet?” Essa é a pergunta feita em um post do blog do projeto BigThink, um novo site de vídeos com enfoque nas discussões intelectuais da atualidade. Criado por Peter Thiel, investidor do Facebook, e por Larry Summers, presidente da Universidade de Harvard, o projeto foi ao ar na última segunda-feira, dia 7, e trata de assuntos variados, desde arte e religião, até terrorismo e vegetarianismo.

Chamado por alguns de “YouTube Intelectual”, o BigThink hospeda no momento em torno de 2.000 entrevistas com 85 convidados selecionados pelo site, entre eles o senador estadunidense Ted Kennedy, o escritor Kurt Andersen, o fundador da gravadora Virgin e até mesmo com Jimmy Wales, criador da Wikipedia. Nestes vídeos os convidados respondem perguntas sobre temas variados, dependendo da especialidade de cada um. As respostas duram de três a cinco minutos e a qualidade dos vídeos é razoavelmente boa. Estas entrevistas curtas são apenas um dos recursos iniciais do site e pretendem estimular a interatividade dos usuários, que podem se cadastrar para comentar, responder os vídeos ou mesmo levantar novas idéias para discussão.

Este é mais um projeto que pode dar muito certo, ou afundar rapidamente. No meio de tanta porcaria transbordando na Internet, pode ser uma boa jogada. Além disso, um recente artigo publicado pelo NY Times mostrou que o intervalo do almoço é um filão importantíssimo, pois muitas pessoas preferem fazer seu lanche em frente ao computador e aproveitam esse horário para assistir vídeos curtos. Este pode ser um dos públicos alvos do BigThink.

O pornógrafo veneziano (parte I)

Com este post inicio a categoria “inacabados”, uma série de contos e outros gêneros que não consigo ou não tenho a intenção de terminar. Às vezes são simples anotações, outras pretendem ser a primeira parte de um trabalho maior, como no caso do texto abaixo, que comecei a escrever para depois transformar em um roteiro para uma estória em quadrinhos. Em um futuro indeterminado um caçador de recompensas mutante e viciado em narcofarmacos persegue um produtor de filmes pornográficos não convencionais. Com vocês, “O pornógrafo veneziano”:

Ferd— O i-name dele é “=jack.ursinho”, não tenho mais informações adicionais.

— Você sabe que com isso será difícil descobrir algo — Astor colocou o i.name no oráculo e ordenou uma busca, o spider começou a rastrear a rede em tempo real enquanto eles comiam bolacha água e sal e chá inglês. Astor pensava na Estela, suas belas tetas firmes e bicos duros. Sua baba misturada com migalhas de bolacha pingava no teclado holográfico projetado na mesa.

— Muito bem, encontrei um node, mas parece que está em uma intranet. Consegui me infiltrar através da conexão Wi-Fi deles, mas a rede é protegida por firewall e os pacotes estão se arrastando por uma pequena brecha que consegui abrir através do eco de bits. Com essa taxa de transferência vou demorar uns 15 minutos para montar a imagem do vídeo.

— Vídeo?

— Sim, consegui localizar um vídeo com esse i-name. Tudo indica, pelos dados de cache, que nosso amigo é produtor de filmes pornôs, do tipo não convencional, se é que você me entende.

— Ora vejam só, por isso o i-name. Ele deve ter usado um i-broker norueguês, eles são muito liberais por lá. Está explicado porque os Homens o querem.

— Sem dúvida. Por favor, tire o cotovelo de cima dos meus papéis. Se nós conseguirmos o openID dele, podemos plotar um eixo de dobra com as coordenadas. Astor fez um malabarismo com seus dedos cegos, sussurrou algo para a máquina e sorriu com satisfação — E ai está: 27°34’39”S 48°31’34”W, parece que encontramos o esconderijo do nosso amigo.

— Meu velho, seus serviços valem cada centavo do que eu te pago.

— Eu sou o melhor.

— Você é — Ferd mergulhou seus longos e disformes braços no paletó que recolheu da mesa de Astor, conectou suas raquetes de andar na neve e arremessou para Astor um dobrão espanhol.

— Ei, esse não foi o combinado — protestou o amigo.

— Meu caro, primeiro preciso confirmar os seus dados, depois eu te dou a outra parte.

Caminhou para seu aeromóvel sob o olhar contrariado de Astor enquanto sacava o GPS e entrava com as coordenadas. Um mapa tridimensional se formou à sua frente, projetada por um pequeno feixe luminoso entre as lentes dos seus óculos. O sistema sugeriu a rota mais próxima, conectou com o sistema de navegação do aeromóvel, verificou o tráfego e confirmou a rota com Ferd, que grunhiu em consentimento. Precisava verificar suas cordas vocais, os narcofarmacos estavam fazendo mal pra ele. Já não bastasse as tripas, agora sua garganta começava a falhar. Precisava ingerir algumas fibras de psyllium, iriam corrigir o problema. Alguns minutos depois, estava no edifício, uma construção praticamente esquecida, uma sigla de 3 letras, foi um centro integrado com fins culturais no passado. O dinheiro era desviado para as pessoas erradas e já naquela época era uma construção quase esquecida, servindo apenas para a negociata e o enriquecimento ilícito, enquanto os eventos culturais eram deixados de lado. E agora um produtor de filmes proibidos, protegido atrás de um i.name vago e de um firewall de segunda mão, estava escondido por ali, provavelmente bolando sua próxima produção nefasta. Ferd deslizava seus tentáculos gosmentos pelos corredores empoirados. O cheiro de porra ressecada penetrava em suas narinas apuradas, que havia herdado da família de sua mãe, seres aquáticos abissais que, não tendo a visão para se guiar nas profundezas dos mares, precisavam ter os outros sentidos superaguçados.