Vamos manter as aparências

Estou muito triste, o cara do post Arquitetura Ecológica foi expulso de sua casa como uma praga, escorraçado selvagemente. Na última sexta feira (14-03-08) eu passei pelo local onde ficava a sua casa e estava tudo espalhado, todo o entulho que ele havia reunido brilhantemente para construir sua casa estava novamente disperso e desorganizado. Até o momento eu não sabia o que havia acontecido. No sábado resolvi fotografar os entulhos para colocar no meu blog e quando lá cheguei havia dois homens uniformizados limpando o local. Naquele instante apareceu um amigo meu e me falou que no dia anterior os homens da prefeitura chegaram lá, entraram no terreno e foram derrubando a casa sem nem ao menos perguntar se havia alguém dentro. O morador, assustado com a demolição, simplesmente saiu correndo, apavorado com a ação dos homens truculentos. Fiquei muito triste e até cheguei a pensar que tinha uma parcela de culpa, por ter divulgado neste blog a construção da casa dele. Mas é mais fácil que o culpado tenha sido o Cacau Menezes, que mostrou e condenou a construção no programa dele (me falaram, mas nem sei qual é o programa dele) e publicou em seu blog algumas fotos de um morador insatisfeito, que achava melhor os ratos ao humano morando no local. E para onde foi o morador? Alguém se importa? Existe serviço social, a preocupação de encontrar outro local para que ele possa morar? Oras… este não é um blog de piadas, não é verdade? Vamos colocar a sujeira bem guardadinha debaixo do tapete. Aquele sujeito pode bem encontrar uma bela favela para morar, onde é o lugar dele. Opções não faltam nesta região maravilhosa. Uma bela região como é o Kobrasol, cidade vertical que cresce cada vez mais, não poderia aceitar um morador assim, tão fora de sintonia, com sua arquitetura extravagante, sem conta bancária ou mesmo um corte de cabelo decente.

Arquitetura Ecológica

arquitetura-ecologica

Hoje à tarde encontrei esta bela residência em um dos poucos terrenos livres aqui no Kobrasol. Enquanto prédios altos nascem da noite para o dia, este cavalheiro parece ter resolvido seu problema de moradia com uma solução simples e ecológica. Eu havia passado pelo local um pouco mais cedo e fiquei encantado pela arquitetura da edificação. Cheguei a pensar que era uma obra de arte, uma instalação dessas milionárias que costumamos ver nas bienais. Voltei lá hoje à tarde e falei com o proprietário, o cavalheiro de costas, que preferiu não mostrar seu rosto na foto. Pedi a ele para documentar sua obra e ele permitiu sem contestar. Ainda me deu a honra de uma rápida entrevista:

Bruxismo: Ótima a sua casa, hein?
Proprietário: Sim, sim.
B: É inacreditável a quantidade de materiais de qualidade que as pessoas jogam fora. E não chove dentro dela?
P: Não. Coloquei plástico em cima.
B: Ninguém te incomodou aqui até agora?
P: Não.

Minha última pergunta dizia respeito aos curiosos, como eu, que irremediavelmente iriam incomodá-lo em relação à arquitetura de sua obra, nada mais. Afinal o terreno estava livre, sem uso e já entulhado com a matéria-prima que ele utilizou. Nada mais justo do que montar seu belo mosaico. Nem todo mundo está preparado para soluções tão imediatas assim e provavelmente ele deve estar se esquivando dos impostos e outras prisões do sistema. Mas ele não deve dar muita importância para essas coisas, como percebi em sua resposta para a última pergunta.

Lixo do dia

Lixo do dia é uma categoria na qual publicarei imagens de objetos encontrados ao acaso, em meus passeios pelas estradas pavimentadas ou não. Objetos intrigantes, ou às vezes nem tanto, mas que chamam minha atenção de alguma forma e entram para minha coleção, que cresce a cada dia, para infelicidade da Leila, que qualquer hora jogará tudo ao seu habitat de origem, o lixo.

Disco circular de papelO objeto ao lado é do tamanho de um CD e foi encontrado no dia 4 de agosto de 2006, embaixo de um poste de energia elétrica. Há um tipo de gráfico circular rabiscado em volta deste fino disco de papel, como se fosse o resultado de um eletroencefalograma. Suspeito que o gráfico reflita algum tipo de medição de alguma grandeza elétrica. Provavelmente os resultados são avaliados e passados para algum superior engravatado, que senta atrás de uma mesa e recebe pilhas desses gráficos circulares, que registram o consumo elétrico na região onde foram tomadas as medidas.