A cura pela internet

Os médicos não gostam muito da internet, pois muitos clientes chegam ao consultório armados até os dentes com informações das mais variadas, pesquisadas antes da consulta, com o diagnóstico preciso para discutir com o doutor, que olha pra eles desconfiado e amaldiçoa a rede mundial de computadores.

Adamastor foi consultar o oftalmologista devido a um pequeno calombo no olho. Apresentou-se ao médico e foi expondo o seu problema:

— Dr. Fulvio, suspeito ter um ordéolo na pálpebra, um tipo de nódulo de poucos milímetros causado pela inflamação de uma das glândulas sebáceas que produzem a lágrima.

O médico abandonou a expressão inicial de calma e sabedoria e perguntou um pouco irritado:

— Como você sabe disso, já estudou medicina?

— Não senhor, mas dei uma boa pesquisada na internet e encontrei um artigo ilustrado que parecia exatamente com o meu problema.

Dr. Fulvio riu com desdém, balançou a cabeça e falou que era por isso que não gostava da internet, pois os pacientes tinham a mania de procurar respostas para os seus problemas e costumavam se automedicar sem consultar um profissional da área. Teimoso, Adamastor discordou, afirmando que o papel do médico era insubstituível, mas que não havia mal em pesquisar um pouco e tirar algumas dúvidas.

Depois de dois meses de tratamento, aplicando um colírio especial e compressas quentes a cada meia hora, o problema persistiu e a pálpebra de Adamastor continuou com aquela protuberância incômoda que parecia crescer quando ele ficava de mau humor. Então, o médico afirmou que o melhor seria uma pequena cirurgia para extirpar o mal de uma vez por todas. O paciente tremeu na cadeira, enquanto pensava na fria lâmina deslizando sobre sua pálpebra. Perguntou se não havia outra saída e o médico respondeu negativamente. Chegando em casa ele foi pesquisar na internet, ainda não convencido da opinião do médico. Por fim, resolveu consultar outro especialista.

No dia da primeira consulta, o Dr. Lobato preenchia a ficha de Adamastor enquanto ele esperava à sua frente. Encorajado pela demora do médico, ele resolveu sugerir:

— Já tentei as compressas quentes e um colírio especial, creio que a melhor saída agora será a aplicação de um corticosteróide subcutâneo no local.

O Dr. Lobato olhou intrigado para ele, sem saber o que responder.

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 5/7/08. p.3)

Os dissidentes contra-atacam

[one-fourth-first]É claro para mim que a Internet será um canal fortíssimo para fortalecimento do poder dos cidadãos chineses a médio prazo. É impossível nos dias de hoje uma economia com a potência e o crescimento exponencial da China ainda tentar manter as rédeas sobre a rede. Tentam, mas não conseguem, pois a profusão de serviços oferecidos aos “dissidentes” do regime permite a estes “rebeldes” chineses consumir e produzir o mesmo tipo de conteúdo produzido em outras partes do supostamente mundo democrático. Trocar idéias, escrever e ler textos proibidos. Não dá mais pra esconder o resto do mundo dos chineses.[/one-fourth-first]

[one-fourth]Atualmente cerca de 14% da população chinesa utiliza a Internet, por isso não podemos criar ilusões a respeito da “munição” que a rede pode suprir na discussão pela falta de liberdade de expressão e outros problemas do sistema hibrido que se tornou a China, onde a produção de capital depende do controle do indivíduo (sim, isso também ocorre nos mesmos paises que atacam e criticam a China). Mas também é verdade que estes 14% vivem nos grandes centros, nas áreas metropolitanas e por isso tem mais condições de ecoar as suas vozes, mesmo que internacionalmente, como no caso do novo processo contra o Yahoo, o segundo, alavancado por uma jurisprudência e um acordo milionário fora dos tribunais que provavelmente farão o Yahoo se arrepender.[/one-fourth]

[one-fourth]Então nós chegamos a outro detalhe importante da transformação chinesa. As mesmas grandes empresas que defendem a disseminação de informação, liberdade de expressão e a privacidade dos seus usuários/clientes, pratica diametralmente o oposto na China com o argumento de que precisa respeitar as políticas diferentes de cada país. Ora, nós sabemos muito bem que na verdade o que interessa são os lucros do Yahoo e de outras marcas fortes da Internet, que interessadas no crescente mercado chinês, resolveram não ficar de fora e descaradamente deram o aval ao Sr. Jintao, que apesar de tentar parecer um liberal, é visto atualmente como um linha-dura no que diz respeito à censura da mídia chinesa e outras políticas reformistas.[/one-fourth]

[one-fourth]Mas, acredito que a médio prazo a sede por mudanças e esse novo recurso dos chineses de brigar nos tribunais internacionais, onde ficam as matrizes dessas mesmas campainhas que poderiam ser os instrumentos para as tão desejadas reformas na China, farão toda a diferença. Mais do que o prejuízo com encargos legais e as indenizações, as grandes marcas da web não desejam arranhões na sua reputação.[/one-fourth]

A diferença entre Internet e Web

InternetSempre gosto de enfatizar aos meus clientes que Internet e Web são coisas distintas. A Internet é uma rede de computadores conectados e descentraliados com o propósito de trocar informações. Existem várias formas de transferir essas informações entre os computadores conectados na rede, incluindo emails, transferencia de arquivos através de FTP e ferramentas P2P e outros meios de troca conhecidos como protocolos. A World Wide Web (chamada simplesmente de Web) é apenas um desses meios de trocar informações, através do protocolo HTTP ( HyperText Transfer Protocol), algo como Protocolo de Transferência de Hipertexto. Uma de suas particularidades mais poderosas é a capacidade de conectar um documento ao outro, os conhecidos links, que formam o grande hipertexto no qual se tornou a Web.