Sistema de Animação

Uma amostra do documentário independente longa-metragem Sistema de Animação, a ser lançado no dia 6 de outubro de 2008 (segunda-feira) às 20h no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis/SC. Ingressos antecipados R$10 no TAC, na Batuka Groove e na Escola de Musica Rafael Bastos.

Trata-se de um espontâneo e dinâmico retrato do igualmente inusitado baterista Toucinho, lenda do underground musical brasileiro. O filme, dirigido pelos premiados Guilherme Ledoux e Alan Langdon, levou 5 anos para ser feito sem nenhum apoio financeiro e já recebeu uma Menção Especial da Critica Especializada no CATARINA Festival de Documentários 2008.

Além da Ilha

O Zé é meu amigo eremita, que mora lá no Morro das Pedras, em uma casa feita por ele mesmo. Não vê TV nem ouve rádio, mas lê vorazmente tudo que lhe cai nas mãos. Ele tem uma esquisitice que nunca consegui entender: apesar de aparentemente bem informado, acredita que o mundo se resume aos poucos lugares por onde ele caminha. Duvida até mesmo da existência do continente e acha que a Ilha de Florianópolis é a única coisa que existe. Se aparece algum estrangeiro ele afirma, irredutível: “Esse aí deve morar do outro lado da Ilha, mas eu não sabia que falavam outra língua por lá”.

Esses dias o Zé passou mal e tive que levá-lo com urgência ao hospital. Enquanto ele fazia uma careta de sofrimento e se agarrava ao banco do passageiro como um caranguejo, eu dirigia como um louco, furando vários sinais fechados no caminho. Como não tínhamos nem um centavo em nossos bolsos, eu precisava encontrar um hospital público para atendê-lo, mas todas as portas pareciam fechadas e só atendiam em caso de risco de morte. “É Zé, você precisa morrer para ser atendido”, arrisquei a piada mórbida quando deixamos o estacionamento do Hospital Universitário à procura de outro hospital. A última opção era o Hospital Regional de São José. Enquanto atravessávamos a ponte, avisei:

– Prepare-se, Zé, você vai finalmente conhecer o continente.

– Mentira! – ele ainda conseguiu grunhir incrédulo por baixo do seu sofrimento, antes de desmaiar.

Preocupado, corri o máximo que pude rumo ao hospital. Naquele estado, ele finalmente foi atendido com urgência no Regional de São José. Aplicaram um bom analgésico nele e trataram de fazer exames para avaliar sua condição. Descobriram que era cálculo renal e receitaram uns remédios, caso as dores retornassem. Levei-o para casa, ainda sob efeito dos remédios. Agora era fazer mais alguns exames e consultar um especialista. Já estávamos chegando novamente ao Morro das Pedras quando o Zé se recobrou. Olhou para mim satisfeito e falou:

– Rapaz, eu passei muito mal mesmo, teve uma hora que parecia que eu tava morrendo, a Ilha tava ficando pra trás e a gente tava sobrevoando o mar rumo ao infinito.

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 16/8/08. p.3)

Folhetos e panfletos

O Centro de Florianópolis foi infestado pelos entregadores de folhetos de propaganda e panfletos eleitorais. Eles já são muito mais numerosos do que as latas de lixo, por isso grande parte dos papéis acaba no chão, a meio caminho entre o seu destino e a paciência de quem os recebeu sem solicitar. Se você quiser evitar os folhetos, pode tentar ser rude com os entregadores, que não fazem mais do que o trabalho deles. Ou, então, pode optar por um trajeto tortuoso, que desvie por trás dos entregadores. O problema é quando eles se aglomeram, para ter certeza que nenhum pedestre fique sem o seu folhetinho. É uma verdadeira operação de guerra que eles empreendem, e você acaba entrando na batalha também, para se livrar deles. Um outro método que funciona quando o braço estendido com o folheto interrompe a sua passagem, é responder educadamente: “Não, obrigado”. Geralmente os entregadores são pegos de surpresa com essa reação, mas você não pode ter certeza que o método é imbatível.

Precisei ir ao edifício Dias Velho consertar meus óculos. Lá é um paraíso de molas, parafusos e todo tipo de peça de reposição para óculos e relógios. Como estava na Praça XV, resolvi me arriscar a atravessar o calçadão da Felipe Schmidt, um dos habitats naturais dos entregadores de folhetos. Respirei fundo e entrei no campo de batalha. A caminhada foi tensa e fui abordado por algumas centenas de folheteiros, dos quais consegui me desvencilhar com maestria. Passei por uma pequena aglomeração deles incólume, na esquina com a rua Deodoro. Depois disso, consegui avançar sem maiores problemas.

Invicto, livre dos folhetos, estava quase chegando à entrada do Dias Velho, satisfeito com a minha façanha. Então, uma sorridente senhora surgiu em meu caminho. Quando tentei me desviar, ela me estendeu a mão com um panfleto e eu o peguei tão naturalmente, desarmado de minhas artimanhas… Quando me recobrei, já no hall do edifício, estava olhando para um panfleto de propaganda política. “Fraquejei e fui derrotado”, pensei com tristeza. Já era hora de rever o meu treinamento de guerra.

(publicada no Plural do Notícias do Dia, 26/7/08. p.3)

O universo de Franklin Cascaes

Ontem fui na Casa da Memória, no Centro de Florianópolis, no lançamento do livro 13 CASCAES, coletânea de contos que inclui Adolfo Boos Jr., Amilcar Neves, Eglê Malheiros, Fábio Brüggemann, Flávio José Cardozo, Jair Francisco Hamms, Júlio de Queiroz, Maria de Lourdes Krieger, Olsen Jr., Péricles Prade, Raul Caldas Filho, Salim Miguel e Silveira de Souza, com depoimento de Peninha e ilustrações de Tércio da Gama.

Este é o primeiro título da Fundação Franklin Cascaes Publicações. Em todos os contos, Franklin Cascaes aparece de alguma forma, conduzindo o leitor através de uma Ilha de Florianópolis mística, habitada por crenças açorianas e principalmente bruxas. A qualidade gráfica da publicação é impecável! Em papel couche, com uma cuidadosa diagramação e ilustrações de Tércio da Gama e algumas do próprio Franklin Cascaes.

BarCamp Floripa!

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O que é?
Reunir gente interessada em internet e tecnologia, disposta a trocar experiências, colaborar – esse é o objetivo do BarCamp. O evento é organizado informalmente, enquanto acontece, sem ter uma programação fechada ou palestrantes definidos: são os próprios participantes que decidem a grade de discussões no começo de cada dia. Entre os temas mais recorrentes, estão comunicação participativa, gestão de conteúdo, software livre, plataformas online de colaboração e Web 2.0.

Sobre o quê?
Jornalismo participativo, linux, copyright, copyleft, arte, open-source, commons, design, ensino, blogs, economia da dádiva, legislação, software, web 2.0, mercado web de Florianópolis, confiabilidade, universidade open-source, descentralização, CMS, comunidades online, user-generated content, trabalho imaterial, produção colaborativa, processo de produção cultural como processo de comunicação, licenças de uso (e.g. GPL), compartilhamento de música na internet

Onde?
Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH)
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Bairro Trindade, Florianópolis/SC
Quando?

· Sábado (19/5) – abertura às 9h e encerramento às 17h30
· Domingo (20/5) – a partir das 10h

Inscrições
Para se inscrever basta entrar no endereço http://barcamp.blaz.com.br/evento/floripa